Pelo menos duas mulheres são espancadas a cada hora no Rio de Janeiro. Os registros da violência indicam que, de janeiro a setembro deste ano, além dos 12.740 casos de lesões corporais, a Secretaria de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro registrou 4.851 ameaças, 362 estupros e 348 homicídios dolosos em que as vítimas foram mulheres. A chegada do Natal também não será nenhum motivo de alegria: estatisticamente, as delegacias de mulheres confirmam para o mês de dezembro o aumento dos casos de espancamento. Em dezembro, há muitas festas de fim de ano. Os homens bebem e agridem
76981 suas companheiras, conta a delegada Argélia Ruiz, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). Segundo a diretora-geral de Polícia Especializada (DGPE), delegada Martha Rocha, os casos mais graves são os de ameaça, quando a dificuldade de se conseguir provas pode deixar a mulher entregue à própria sorte. A certeza de que o problema vai além das fronteiras da casa ou mesmo do Estado levou representantes de 124 países a realizar uma campanha global pelos Direitos Humanos da Mulher. "A violência contra a mulher não é um fator conjuntural, mas estrutural de uma sociedade patriarcal", afirma a socióloga Rose Marie Muraro (O Globo).