O ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, o empresário alagoano Paulo César Farias, foi trancafiado ontem, sob protesto, numa cela da Polícia Federal em Brasília (DF), mas à noite o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ilmar Galvão determinou sua transferência para a sala do comandante do Pelotão de Choque da Polícia Militar. A decisão foi tomada depois que o ministro recebeu ofício do diretor da Polícia Federal, Wilson Romão, comunicando que não existe na Superintendência qualquer "sala especial" como especifica o artigo 89, inciso 5, da Lei 4.215/65. Este dispositivo prevê que bacharéis em direito devem ser recolhidos em "sala de Estado-Maior". PC é advogado e não teve seu registro cassado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). PC assinou o mandado de prisão ainda no avião que o trazia da Tailândia, assim que o vôo entrou no espaço aéreo brasileiro. Ele prometeu revelar os nomes de quem contribuiu para a campanha de Fernando Collor, disse que estará livre no Natal e anunciou que vai se candidatar a um cargo político em 1994. O pedido de convocação de PC para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Ormento só deverá ser votado na próxima semana. A comissão não quer convocá-lo agora, pois não tem documentos que o comprometam com a corrupção no Orçamento da União. O deputado Augusto Farias (PSC-AL), irmão de PC, afirmou ontem que se PC cometeu algum crime foi com autorização do ex-presidente Fernando Collor, com quem mantinha vínculo de subordinação eleitoral. Augusto acha que PC contará tudo que sabe sobre a arrecadação de fundos eleitorais e pressão de empresários para obtenção de favores do governo. "Se ele próprio confessou que arrecadou US$60 milhões, precisa explicar agora quem fez as doações, que interesses moveram os empresários e as pressões exercidas em função dessas doações", enfatizou Augusto. A família de PC alega dispor de informações que mostram a doação de dinheiro de "fantasmas" do chamado "esquema PC" para uma conta bancária de Geraldo Farias, secretário particular do presidente Itamar Franco. Segundo dossiê da família, pelo menos uma conta do secretário particular, na agência do Bradesco em Juiz de Fora (MG), terra do presidente, foi abastecida pelos "fantasmas" criados para captar dinheiro repassado por empresários para a campanha eleitoral de Collor, em 1989. Em nota oficial, o presidente Itamar Franco negou envolvimento com o "esquema PC". Disse não ter sido tesoureiro e não poder "confirmar quanto teria sido enviado para a campanha presidencial em Minas Gerais ou qualquer outro estado" (O ESP) (FSP) (O Globo) (JB).