O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, participou ontem, em São Paulo (SP), do lançamento da Campanha Nacional contra o Desemprego. Coordenador da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, Betinho disse: "A fome resulta do desemprego. As pessoas passam fome porque não têm salários". Para o sociólogo, fome e desemprego fazem parte do mesmo problema, principalmente da solução. O lançamento da campanha foi feita durante o 30o. Fórum Nacional de Secretários do Trabalho e contou com a participação do ministro do Trabalho, Walter Barelli; do governador Luiz Antônio Fleury Filho; do presidente do CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar), dom Mauro Morelli; e de vários secretários estaduais do Trabalho. Betinho afirmou que a campanha contra o desemprego é uma nova etapa, a consolidação do movimento contra a fome e a miséria. Segundo ele, "1993 foi o ano do despertar da sociedade contra a fome, 1994 será o ano do emprego, quando a sociedade se mobilizará para acabar com o escândalo de nove milhões de famílias vivendo na indigência". Ele afirmou que a comida é a solução imediata para a fome e que o emprego é uma solução mais permanente para o problema. O sociólogo, que é secretário-executivo do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), disse que a geração de mais emprego depende de uma mudança no processo de desenvolvimento. A idéia da campanha é abrir o debate sobre formas de geração de empregos. O ministro do Trabalho, Walter Barelli, voltou a afirmar que a prioridade do governo Itamar Franco para o próximo ano é emprego para todos. Segundo ele, o fim do desemprego só e conseguido com a reativação dos investimentos, com a redução no custo de trabalho, com cooperativas de trabalhadores auto-geridas e análises dos orçamentos da União, estados e municípios sob a perspectiva do desemprego. Dom Mauro Morelli afirmou que "emprego é sinal de cidadania". Sua principal luta é acabar com a desnutrição infantil. Ele desafiou os municípios a fazerem um mapa das crianças desnutridas. Os governos federal e do Estado de São Paulo pretendem criar novos empregos em todo o país com investimentos em obras públicas. Segundo o ministro do Trabalho, o crescimento econômico por si só não gera emprego. Além das frentes de trabalho, o ministro disse ainda que o governo pretende dar apoio creditício, comercial e gerencial às microempresas, medida apoiada pelo governador paulista, que afirmou que 60% dos empregos no Brasil estão concentrados na microempresa. O crescimento acumulado de 1,84% no nível de emprego neste ano (dados de setembro) representa um acréscimo de 407,9 mil postos de trabalho. O governador paulista contabiliza 2,2 milhões de desempregados no estado (JC) (GM) (FSP) (JB).