CPI INVESTIGARÁ MAIS 10 DEPUTADOS

Por conta dos documentos recolhidos na casa de Ailton Reis, diretor da construtora Norberto Odebrecht em Brasília (DF), a CPI do Orçamento decidiu investigar mais 10 novos nomes de parlamentares suspeitos de corrupção na liberação de verbas do Orçamento da União. A nova lista inclui parlamentares do PDT e do PSDB e a quebra de sigilo bancário será estendida a Ailton Reis. O diretor-presidente da Odebrecht S/A, Emílio Odebrecht, contestou denúncia da CPI de que há um poder paralelo, integrado por empreiteiras, para corromper políticos, e atribuiu as acusações a um "complô corporativista e das estatais". Negou que sua empresa tenha pago propinas para ganhar licitações, e declarou que vai processar o senador José Paulo Bisol (PSB-RS), autor do relatório. O texto causou polêmica no Congresso Nacional. Parlamentares afirmaram que Bisol exagerou as possíveis repercussões dos papéis. Um documento de 1992, encontrado na casa de Ailton Reis, mostra que a Odebrecht fazia reuniões com parlamentares para discutir destinação de verbas do Orçamento. A CPI divulgou três listas ontem. Na primeira, são listados os parlamentares cujos nomes estão tanto na lista da Odebrecht quanto na última lista apresentada pelo economista José Carlos Alves dos Santos. São três deputados: Jorge Tadeu Mudalen (PMDB-SP), Eraldo Tinoco (PFL-BA) e José Carlos Aleluia (PFL-BA). Na relação, esses nomes aparecem com uma porcentagem ao lado. A CPI quer descobrir se esse índice se refere a propinas. Numa segunda lista, a CPI colocou os parlamentares que estão na relação da Odebrecht, mas não tinham sido denunciados ainda. São eles: os deputados Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), Mussa Demes (PFL-PI), Valdomiro Lima (PDT-RS), Osmanio Pereira (PSDB-MG) e os senadores Mansueto de Lavor (PMDB-PE), Dario Pereira (PFL-RN) e Teotônio Villela Filho (PSDB-AL). Os ministros militares afirmam estar satisfeitos com o andamento das investigações de corrupção mas, em conversas com dirigentes políticos, mostram-se inquietos com a paralisação do país. "As investigações estão produzindo resultados excelentes, mas o Congresso não pode parar", disse o almirante Mário César Flores, ministro-chefe da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), referindo-se inclusive à tramitação do plano econômico (JB) (FSP).