Prefeituras dos principais municípios paulistas pretendem organizar ações conjuntas para combater a miséria e o desemprego, responsáveis pela proliferação de favelas até nas pequenas cidades. Secretários de promoção social de 10 cidades-sede de regionais administrativas do estado assinaram esta semana, em São José dos Campos, uma carta-compromisso fixando as diretrizes de um plano de ação para o setor. A carta prevê a reativação da Frente Paulista de Dirigentes Públicos da Assistência Social, desativada em 1991. De acordo com Luís Albino Blumer Gil, da Secretaria do Trabalho e Promoção Social de Sorocaba, a opção por uma ação conjunta entre os principais municípios do estado foi determinada pelo aumento na demanda dos serviços de assistência social. "O número de atendimentos aumentou 100% nos últimos três anos em todos os setores", afirmou. Em Sorocaba, por exemplo, a secretaria faz em média 12 mil atendimentos diretos por mês, o dobro do número de 1990. "Temos de suprir necessidades básicas, como doação de alimentos, compra de remédios e busca de empregos", disse. Uma das prioridades do plano de ação conjunta é controlar a migração causada pelo desemprego e pela miséria, principal problema do setor. "O perfil do migrante está mudando, não é mais a pessoa itinerante, sem qualquer qualificação, que vive às custas do serviço social", garantiu. Segundo ele, a crise e a falta de emprego levam as pessoas a mudar de cidades à procura de oportunidades. Os dirigentes defendem a municipalização da assistência social e o cumprimento da Lei Orgânica que regulamenta o setor. Atualmente, os programas da área social são criados pelo governo federal e recebem recursos específicos, que muitas vezes não atendem às necessidades locais. Em maio de 1994 será realizado um encontro estadual dos dirigentes da assistência social. Integram a frente as regiões de Santos, São José dos Campos, Sorocaba, Campinas, Piracicaba, Presidente Prudente, Registro, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Araçatuba (O ESP).