DOCUMENTOS COMPROMETEM ARRAES E MAGALHÃES

Uma carta encontrada entre os documentos na casa de Ailton Reis, diretor da construtora Norberto Odebrecht, envolve o deputado federal Miguel Arraes (PSB-PE), ex-governador de Pernambuco. A carta, assinada pelo próprio Reis, é dirigida a Emílio Odebrecht, proprietário da empreiteira. Ele solicita autorização para pagar US$30 mil mensais a Arraes, para atividades políticas. Segundo a carta, Arraes estaria solicitando um adiantamento. Arraes enviou ontem uma carta ao presidente da CPI do Orçamento, senador Jarbas Passarinho (PPR-PA), solicitando cópia do documento que o compromete. O próprio relator da CPI, deputado Roberto Magalhães (PFL-PE), aparece na documentação da Odebrecht. Há uma anotação indicando que a empresa teria interesse em se aproximar dele e financiar, com prioridade, sua campanha à reeleição em 94. Outro integrante da CPI que apareceria na lista é o deputado Benito Gama (PFL-BA). Nos dias nove e 13 de março de 1990, o deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) enviou duas ordens de pagamento no valor de US$114 mil para a casa de câmbio Indumex, na cidade uruguaia de Rivera. Dois dias depois da segunda remessa de Ibsen para o exterior, o governo editou o Plano Collor, que bloqueou todos os investimentos acima de NCz$50 mil (US$1,3 mil). A descoberta foi feita ontem pela subcomissão de bancos da CPI. Relatório concluído ontem pela subcomissão reafirmou que o deputado teve depósitos de US$1,1 milhão em suas contas bancárias nos últimos cinco anos. A movimentação bancária total de Ibsen chega a US$2,3 milhões, incluindo resgates de investimentos e transferências entre contas bancárias (FSP).