Programas econômicos bem fundamentados e campanhas agressivas de saúde pública e alimentação podem, dentro de 25 anos, reduzir à metade o número de famintos no mundo. A previsão é do Banco Mundial (BIRD), que está convocando os países em desenvolvimento a aprenderem com os modelos de desenvolvimento usados no Leste Asiático durante os anos 80. Segundo o banco, por volta do ano 2000 o Leste Asiático terá 300 milhões de famintos a menos do que prevêem as atuais projeções, graças ao cuidadoso planejamento econômico, estímulo à empresa privada e programas sociais inovadores. O banco informou que há cerca de um bilhão de pobres e famintos no mundo de hoje-- 30% da população mundial. O Sul da Ásia responde por 50% deles e a África Subsaariana, por 25%. Outros dois bilhões sofrem de deficiências nutritivas, especialmente vitamina A, iodo e ferro. Para o BIRD, cujas estatísticas foram divulgadas na véspera do início da Conferência Internacional para Superar a Fome no Mundo, na Universidade Americana, em Washington (EUA), programas inovadores podem reduzir o número de pessoas famintas à metade, por volta do ano 2015. O banco, que é a mior instituição mundial de empréstimos para o desenvolvimento, também procurou refutar a tese malthusiana de que o mundo chegará a um ponto em que não poderá produzir alimentos suficientes para uma população em expansão. Na verdade, segundo o vice-presidente do BIRD, Ismail Serageldin, os preços agrícolas estão "nos níveis mais baixos da história" e a produção de alimentos "cresce mais depressa do que a população". "A prova está aí-- a fome existe em meio à abundância", disse. Os documentos do Banco Mundial sugerem que os países devem tratar de colocar mais dinheiro nas mãos das pessoas pobres. Segundo Serageldin, o modelo leste-asiático se concentrou em "sólidos programas de macroadministração" que "controlam a inflação, reduzem os déficits orçamentários e promovem taxas de juros reais" para estimular poupanças e criar "um ambiente geral" que estimule o desenvolvimento do setor privado, especialmente em indústrias com uso intensivo de mão-de-obra. Ao mesmo tempo, diz o vice-presidente do BIRD, os governos devem investir em recursos humanos-- especialmente educação, alimentação e saúde pública. Ele citou os crescentes esforços para trazer mulheres para a força de trabalho como um "segredo do milagre do Leste Asiático". O banco citou a China e a Indonésia para documentar o sucesso do Leste Asiático, enquanto Serageldin também mencionou a Coréia e Formosa. Ele reconheceu que todos esses países tinham governos autoritários nos anos 80, mas disse que "não havia um vínculo direto" entre desenvolvimento e falta de democracia. Os países do Leste Asiático, disse ele, "são países muito grandes", o que as tornou líderes na redução do número de pessoas pobres no mundo (JB).