PC NÃO TERÁ TRATAMENTO ESPECIAL

O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, disse ontem que não vai dar tratamento especial ao empresário alagoano Paulo César Farias, ex- tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, preso anteontem na Tailândia. Corrêa disse que PC vai ficar em uma cela da Polícia Federal, em Brasília (DF). PC retorna ao Brasil no próximo dia três. A cela onde ele ficará é considerada "especial" pela PF. Com 16 metros quadrados, é a única na carceragem da PF que tem vaso sanitário e chuveiro elétrico. A cela já foi ocupada pelo economista José Carlos Alves dos Santos, delator do esquema de corrupção no Orçamento, e pela ex- secretária de PC, Rosinete Melanias. A prisão de PC vai custar cerca de US$25 mil ao governo federal. A passagem aérea e a diária em Bangcoc foram pagas pelos órgãos que mandaram seus representantes, ou seja, Ministério da Justiça, Polícia Federal e Itamaraty. Paulo César Farias vai entrar no Brasil com um título de nacionalidade expedido pelo Itamaraty já que seu passaporte foi cancelado pela Justiça brasileira. A versão de sua prisão na Tailândia ainda não foi devidamente esclarecida pelo Itamaraty. Ontem, a secretaria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores insistia na divulgação da versão de que PC foi detido em Bangcoc porque seu visto de turista, válido por 15 dias, havia expirado. O embaixador brasileiro na Tailândia, Paulo Monteiro Lima, conta uma outra história. Ele disse que o empresário foi preso a partir da denúncia de um turista brasileiro que reconheceu PC no Hotel Sheraton. Monteiro Lima afirmou que acompanhou pessoalmente a prisão de PC. Seu passaporte teve as extremidades cortadas, o que indica que foi cancelado de acordo com as convenções internacionais. Em entrevista na cela em Bangcoc, PC disse que antes de ser detido pensava em pedir asilo político à Tailândia. Ele afirmou que não poderia voltar ao Brasil "porque o atual presidente é meu inimigo". PC vai ser recebido com uma "carcerata" (carreata em direção ao cárcere) em Brasília. "Vamos queimar fogos quando ele estiver entrando na PF", disse Paulo Pires de Camos, secretário nacional do Movimento pela Ética na Política, que prepara manifestações por todo o país. Ele informou que estão sendo esperados, entre outros, o ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Marcelo Lavenere`, presidentes das centrais sindicais, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), e, se possível, o presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Barbosa Lima Sobrinho (FSP) (O Globo).