Os impactos da possível privatização do setor energético do Estado do Rio de Janeiro, proposta incluída na revisão da Constituição, foram debatidos ontem, em encontro de representantes do setor no Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Participaram do encontro o representante de FURNAS, Paulo Afonso Pegado, o superintendente de planejamento da PETROBRÁS, José Fantini, e o representante da LIGHT, Mariano de Oliveira Moreira. Todos se mostraram unânimes na manutenção do setor energético estatal, em especial no monopólio da PETROBRÁS. Segundo o coordenador do Fórum, Luís Pinguelli Rosa, "a privatização prevê a venda da PETROBRÁS por apenas uns poucos bilhões de dólares, já que as negociações feitas até agora pelo governo têm sido realizadas por baixo". José Fantini disse, ao defender a estatal, que a empresa representa, somente no Rio de Janeiro, 33% dos investimentos em todo o país. Ele contestou a atuação paralela de empresas multinacionais na região da bacia de Campos se o monopólio for quebrado. Os organizadores do encontro preparam proposta de emenda à Constituição em articulação com o Fórum e o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), e com apoio de organizações de engenheiros e sindicatos. O documento propõe que qualquer mudança no monopólio do petróleo só seja feita por três quartos dos votos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (JC).