PROGRAMA DE DISTRIBUIÇÃO EMERGENCIAL DE ALIMENTOS

O governo federal vai lançar em março do ano que vem o Programa de Distribuição Emergencial de Alimentos (Prodea II) para beneficiar os bolsões de miséria na Baixada Fluminense e no Vale do Jequitinhonha (MG). Algumas áreas do Nordeste que não foram beneficiadas pelo Prodea I também deverão receber alimentos. Além da segunda edição do Prodea, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA) dará prioridade em 1994 a uma proposta de ampliação do número de empregos no país. O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, coordenador-executivo do CONSEA e secretário- executivo do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), estima que nove milhões de empregos poderão ser gerados com esse movimento. O presidente do CONSEA, dom Mauro Morelli, fez ontem um balanço sobre a atuação do Prodea I e informou que 153 mil toneladas de alimentos serão distribuídas até fevereiro, atendendo a 2,05 milhões de famílias, em 1,15 mil municípios. A cesta bésica que será distribuída é composta de 12 quilos de arroz, quatro de feijão, seis de milho e três de farinha de mandioca. O custo total desta primeira fase do Prodea é de CR$5,47 bilhões. Na distribuição de alimentos, feita através das prefeituras e fiscalizada por soldados do Exército, não haverá desperdício. Segundo Paulo Pires Campo, que integra o Prodea, a qualidade dos grãos que está saindo do estoque público está sendo verificada após uma classificação do produto no armazém de origem e uma classificação no armazém regional. Ele afirmou que todo produto considerado de baixa qualidade não será distribuído, evitando a perda de alimentos. Dom Mauro elogiou também a atuação do presidente Itamar Franco, não só no apoio ao programa da fome, mas também a sua determinação para promover a reforma agrária no país. De julho até agora, de acordo com dom Mauro, foram assinados 53 decretos de desapropriação de propriedades improdutivas, para efeito de reforma agrária (JC) (JB).