O pianista João Carlos Martins, dono da Paubrasil, disse ontem em depoimento à Polícia Federal e à Procuradoria da República, em São Paulo (SP), que arrecadou recursos para campanhas de cerca de 400 políticos de diversos partidos a partir de 1986. Martins revelou que como pessoa física ajudou nas campanhas do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e Mário Covas, então candidatos ao Senado Federal pelo PSDB de São Paulo. Informou que mandou confeccionar camisetas e cerca de 15 milhões de cédulas para as candidaturas dos dois tucanos, e garantiu que eles não sabiam de sua "ajuda". Com relação às campanhas do prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PPR), para governador, prefeito e presidente, e de Cunha Bueno, para deputado federal, Martins foi mais enfático. Admitiu que eles e outros políticos eram contemplados com verbas arrecadadas de empresas, entre elas as empreiteiras Andrade Gutierrez, Sahim Cury e CBPO, do grupo Odebrecht, Brada e Constran. Ele disse que arrecadou US$13 milhões na campanha de 1990 e US$4 milhões em 1992. Para quitar dívidas da campanha de 1990, o pianista disse que em 1991 teve de arrecadar mais US$2 milhões. Martins garantiu que sua atuação como intermediário entre empresas privadas e políticos encerrou-se na última campanha eleitoral, realizada no ano passado. "A Paubrasil foi uma mera intermediária dos recursos, não se beneficiou de um centavo", afirmou. O pianista disse que agora vai procurar as mesmas empresas onde arrecadou dinheiro para as campanhas para ajudá-lo a saldar as dívidas com a Receita Federal. "Só que agora não vou emitir notas frias", disse (O Globo).