CANADÁ E ITAMARATY FARÃO ESTUDO SOBRE O NAFTA

A embaixada do Canadá e o Itamaraty decidiram fazer uma análise aprofundada dos efeitos do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) sobre o comércio exterior brasileiro e as consequências do MERCOSUL para as vendas canadenses. Os dois governos vão estabelecer os termos de referência para fazer o estudo, mas o embaixador do Canadá, William Dymond, disse que insistirá para que seja realizado também um exame detalhado da questão das regras de origem do NAFTA, tidas como muito rigorosas. Dymond e seu assessor, o conselheiro comercial Roman Hruby, estranharam o enfoque dado pela sociedade brasileira à aprovação do NAFTA pelo Congresso norte-americano na semana passada. Segundo eles, não foram valorizados os aspectos de liberalização comercial, de criação de oportunidades, mas principalmente a versão de que a nova área de livre comércio prejudicará produtos brasileiros, como suco de laranja, calçados e têxteis. No Canadá, lembra o embaixador, o suco de laranja brasileiro entra com tarifa zero. Os exportadores poderão continuar a enviar o produto In natura", concentrado, que receberá beneficiamento no mercado canadense para ser distribuído nos EUA, no Canadá e no México. O Canadá está preocupado também com os efeitos do MERCOSUL, sobretudo em relação às suas exportações de trigo, que enfrentam a concorrência do produto argentino, como preferência no mercado brasileiro. Os canadenses estão pedindo ao Brasil a redução da alíquota de importação de trigo, atualmente de 10%. Mas com a entrada em vigor do MERCOSUL, em janeiro de 1995, existe o temor de que sejam dificultadas as exportações do Canadá, dependendo do nível da tarifa externa comum. O Brasil é o quarto maior mercado para o trigo canadense, depois da China, Rússia e Coréia (GM).