O presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG) e da Agroceres, Ney Bittencourt de Araújo, não crê na possibilidade de implementação do MERCOSUL dentro do prazo previsto e defende o "adiamento responsável" do cronograma, com a fixação de uma "data mais realista", que ele, no entanto, não arrisca prever. Segundo Araújo, a inflação brasileira e a sobrevalorização cambial argentina, estimada por ele em 35%, são fatores básicos que dificultam a harmonização das políticas macroeconômicas entre os quatro parceiros do MERCOSUL e que emperram a implantação de uma política comum na área tributária e monetária. Essas questões sequer começaram a ser discutidas pelo grupo MERCOSUL, destaca ele, considerando temerária, dentro desse ambiente, a vigência de tarifas zero inter-regionalmente. Em seu entender, até o momento, a maior preocupação dos países integrantes do MERCOSUL é com o comércio inter- regional sem dar ênfase à definição de uma estratégia de desenvolvimento econômico da região. Já o assessor internacional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Marcos Sawaya Jank, defendeu a necessidade de os empresários do setor agroindustrial ampliarem sua participação no processo de criação do MERCOSUL, com a presença também nos subgrupos 1 e 10 (que tratam da política comercial e da política macroeconômica), em vez de se limitarem ao subgrupo 8, referente à política agrícola. Ele propôs ainda a introdução do meio acadêmico no processo de elaboração do MERCOSUL (GM).