A PRISÃO DE PAULO CÉSAR FARIAS

Uma missão brasileira viaja hoje para Bangcoc para negociar com o governo da Tailândia a deportação do empresário Paulo César Farias, o PC, tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello que está foragido da Justiça há 152 dias e que, procurado até pela Scotland Yard, na Inglaterra, acabou preso no Sudeste asiático, por estar na capital tailandesa com o visto de turista vencido. Ele foi detido pelas autoridades de imigração por volta das 10h de ontem (horário de Brasília), no Hotel Sheraton, onde foi reconhecido por um empresário brasileiro, que comunicou sua presença à embaixada brasileira. Ele estava hospedado numa das mais luxuosas suítes do hotel quando foi abordado pelo embaixador brasileiro em Bangcoc, Paulo Monteiro Lima. "Vim comunicar que seu passaporte foi cancelado pelo governo brasileiro e que o senhor está detido", disse o embaixador. PC voltará ao Brasil no vôo da VARIG que sai de Bangcoc às 18h40 do próximo dia dois de dezembro (hora local) e chega a São Paulo às 8h do dia três, após escala em Joanesburgo. Dois delegados da Polícia Federal acompanham a missão brasileira e voltarão no mesmo vôo de PC para prendê-lo assim que ele entrar no avião, considerado território brasileiro. Segundo o Itamaraty, PC estava na Tailândia há 23 dias. Ele usava nome e passaporte verdadeiros. A prisão foi possível graças a um descuido de PC: ele ultrapassara o prazo de 15 dias de permanência na Tailândia sem visto no passaporte. O Brasil não mantém tratado de extradição com a Tailândia e o por isso, como explicou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o retorno de PC ao Brasil será acertado sob outro aspecto. Caso o governo consiga a extradição, PC ficará numa cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília (DF), para o cumprimento de prisão preventiva decretada pela 10a. Vara de Justiça Federal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em 18 meses de investigações, o delegado Paulo Lacerda, responsável pelo caso, indiciou PC em 21 inquéritos. Se for condenado pela Justiça, ele poderá ter de cumprir até 30 anos de prisão. Lacerda prevê mais um ano de trabalho para o completo esclarecimento do esquema de corrupção montado por ele durante os dois anos do governo Collor. PC deve cerca de US$100 milhões à Receita Federal por impostos sonegados e multas. PC deverá ser convocado para depor na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Orçamento, conforme revelaram ontem o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o deputado Luiz Salomão (PDT-RJ). Eles consideram que PC tem muitas informações a dar sobre a liberação de recursos do Orçamento. Os irmãos de PC, numa reunião ocorrida ontem em Maceió (AL), disseram que não irão admitir que a PF ou o Ministério da Justiça "façam espetáculo" com a chegada do foragido. A família anunciou que Irá radicalizar" contra o governo caso haja "violação dos direitos constitucionais" do empresário. Radicalizar, segundo a família, significa revelar parte do conjunto de informações que PC guardou até o momento. O dossiê do ex-tesoureiro da campanha de Collor, de acordo com um dos oito irmãos de PC, "colocaria o país de cabeça para baixo", comprometendo muitos membros do atual governo Itamar Franco. "Jamais iremos permitir que haja execração pública de Paulo", disse o deputado federal Augusto Farias (PSC-AL). "Ele tem que usufruir de todos os direitos que a Constituição lhe reserva como cidadão". A família e os advogados de PC disseram que irão tentar evitar constrangimentos como o uso de algemas e a ida do empresário para uma cela comum (O ESP) (JB) (FSP) (O Globo).