O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Albano Franco, e o coordenador da campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançaram ontem, na sede da CNI, no Rio de Janeiro (capital), a campanha "Natal sem Fome", em que 300 grandes empresários do país contribuirão, cada um, com mil cestas básicas, formadas com 15 produtos, para distribuição junto às comunidades carentes. O empresário Antônio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim, disse que suas empresas doarão 20 mil cestas (a um custo aproximado de US$200 mil) à campanha e prontificou-se a mobilizar os empregados para fazer a distribuição, o que ocorrerá tão logo Betinho forneça o mapa de distribuição das cestas básicas. Satisfeito com a iniciativa do dono da Votorantim, Betinho disse que o ideal seria que o lance inicial para as grandes empresas fosse o de Antônio Ermírio. Para o sociólogo Herbert de Souza, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), nunca na história do Brasil se viu uma mobilização como essa da campanha contra a fome. Segundo ele, não se passa um dia sem que receba colaboração dos diversos segmentos da sociedade. Fazendo coro ao pronunciamento do presidente da CNI, Albano Franco, que defendeu a diminuição dos impostos para permitir o surgimento de novas empresas e a geração de empregos, Betinho disse que o remédio para a fome é a comida e para a miséria, o emprego. Para Betinho, é preciso que o governo e a sociedade se convençam da necessidade de criar mais empregos para acabar com a miséria do país. Ele também cobrou dos empresários a criação de novos empregos. Não podemos ter uma economia totalmente ajustada e totalmente
76868 miserável, disse Betinho, ao criticar o plano de ajuste econômico do governo. Na opinião do coordenador da campanha contra a fome, o governo deveria estimular o surgimento de mais emprego da seguinte forma: para cada emprego novo criado, a empresa teria seus encargos sociais reduzidos. A campanha "Natal sem Fome" prevê a participação inicial de 150 empresas, mas Betinho acredita que o número pode chegar a mil, cada uma das quais fazendo a doação de mil cestas básicas, com produtos como feijão, arroz, farinha, óleo de soja e margarina (JC) (O ESP) (FSP) (O Globo).