O número de famintos, calculado em um bilhão de pessoas no mundo em desenvolvimento, pode ser diminuído à metade em uma geração, caso se aplique uma política apropriada, assinalou ontem o Banco Mundial (BIRD). Uma conferência sobre o tema será realizada hoje e amanhã em Washington (EUA), onde o banco pretende mostrar que, caso as medidas necessárias não sejam tomadas, os que vivem na pobreza absoluta (menos de US$1 por dia) continuarão aumentando. A percentagem de famintos pode cair de 30% para 15%, caso os países em desenvolvimento, ajudados pelas instituições internacionais, empreendam reformas econômicas profundas e melhorem a educação e a saúde, a exemplo dos países do Leste da Ásia. O presidente do BIRD, Lewis Preston, ressalta que isto não se deve a guerras e secas, mas, na maior parte dos casos, "a más políticas econômicas e sociais que privam a maior parte das pessoas de participarem do crescimento" As intervenções eficazes para ajudar aos mais pobres entre os pobres (mulheres, crianças, camponeses sem-terra, pequenos camponeses de regiões áridas e desempregados nas cidades) não são necessariamente caras. Há 45, o BIRD emprestou US$300 bilhões para a luta contra a pobreza, mas será só a partir de 1994 que incluirá o impacto da seca nos empréstimos a certos países. A conferência de Washington foi organizada depois que um parlamentar norte-americano, Tony Hall, efetuou uma greve de fome de 23 dias para chamar a atenção sobre o problema. Além do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas (ONU), a conferência reunirá organizações não-governamentais que prepararão uma lista de ações prioritárias para reduzir a fome (JC).