A Polícia Civil do Distrito Federal achou na noite do último dia 27 a ossada de Ana Elizabeth Lofrano Alves dos Santos, mulher do economista e ex-assessor do Senado Federal José Carlos Alves dos Santos, delator do escândalo do Orçamento. José Carlos pagou US$100 mil ao detetive particular Lindauro da Silva e ao mecânico Valdei José de Souza, já presos, para matarem sua mulher. Eles disseram ter enterrado viva Ana Elizabeth, depois de tentarem matá-la com um golpe de picareta na nuca e uma pedrada na cabeça. Contaram ainda que o próprio José Carlos encomendou o crime e ajudou a sequestrar a mulher-- que estava desaparecida desde 19 de novembro de 1992. A cova onde Ana Elizabeth seria enterrada estava aberta há quatro meses, em meio a um matagal, na localidade de Brasilinha, distante 60 km do Centro de Brasília. Na madrugada de ontem, ao saber que a polícia havia esclarecido a morte de sua mulher, José Carlos tentou o suicídio em sua cela, na Polícia Federal, cortando o pulso esquerdo e ingerindo uma caixa de Atenol, comprimido para controle de pressão arterial, além de tentar se enforcar. Levado para o hospital, está fora de perigo. Antes, escreveu três cartas, uma para a namorada Crislene, outra para os filhos e a terceira à Polícia Federal, na qual acusa mais parlamentares de envolvimento na corrupção que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Orçamento está investigando, entre eles o presidente da Câmara dos Deputados, Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), o ex-presidente da CPI do PC Farias, Benito Gama (PFL-BA), e José Maranhão (PMDB-PB). Políticos acusados de envolvimento no escândalo do Orçamento tentaram desqualificar José Carlos. "A palavra desse assassino não merece o menor crédito", disse o deputado João Alves (PPR-BA), principal acusado pelo economista. O presidente da CPI, senador Jarbas Passarinho (PPR-PA), disse que as investigações prosseguem (FSP) (JB) (O Globo).