A dívida externa brasileira é de aproximadamente US$134 bilhões. Esse valor se refere ao ano de 1992. Não há dados oficiais para este ano. Desse total, há uma parcela mais problemática, pois se refere à dívida junto aos bancos comerciais estrangeiros-- são US$35 bilhões-- que não está sendo paga regularmente desde junho de 1989. O restante é devido a instituições não-financeiras, a governos e a bancos brasileiros no exterior. O acordo que o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, vai assinar hoje, em Toronto (Canadá), se refere aos US$35 bilhões devidos aos bancos estrangeiros. Os bancos receberão papéis novos, de acordo com sua preferência. As opções foram listadas em um cardápio, com seis tipos de papéis. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) avalia que a recessão e a inflação dos últimos três anos são consequências da tentativa do Brasil em cumprir acordos da dívida externa por demais penosos. Para o senador, isso continuará acontecendo se o Brasil fechar o novo acordo com o FMI. "Por que o André Lara Resende não leva o Betinho (sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, coordenador da campanha contra a fome e secretário-executivo do IBASE - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) para negociar com os credores?", pergunda o senador. Na opinião do senador, o governo deveria pleitear junto aos credores "um período de tempo para que a economia volte a ganhar fôlego". Economista, Suplicy foi o único membro da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado a votar contra as condições do acordo da dívida, em outubro. "Desde que sou senador, o governo apresenta previsões de superávit primário que permitiriam, com folga, pagar a dívida. Só que isso não acontece", diz. Para cumprir os pagamentos, argumenta, o governo eleva os juros, causa da recessão, e emite moeda, o que leva à inflação. Mais uma vez isso vai acontecer, prevê, "tanto é que já cortaram US$20 bilhões do Orçamento e elevaram os impostos". O negociador oficial da dívida externa, André Lara Resende, prevê que o acerto com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sairá em fevereiro do próximo ano. O aval do Fundo é imprescindível para a conclusão do acordo da dívida externa que renegocia US$35 bilhões do débito com os bancos privados. Lara Resende acredita que se subestimam os prejuízos do país enquanto o acordo não é fechado. Segundo ele, o acesso de empresas brasileiras ao mercado internacional e a acumulação das reservas cambiais de US$28 bilhões só ocorreram devido à perspectiva da conclusão do acordo. Lara Resende anunciou que deixa amanhã o comando das negociações, para passar a assessorar informalmente o ministro da Fazenda em programas de estabilização econômica, além de cuidar de seu banco (FSP).