CPI COLHE PROVAS QUE CONDENAM

Os parlamentares que forem incriminados pela CPI do Orçamento não ficarão impunes, porque a quebra do sigilo bancário permitiu a obtenção de elementos materiais concretos não apenas da falta de decoro, mas também da prática de crimes. "Já temos muitos documentos que são provas concretas, irrefutáveis, contra os que estão sendo investigados". A conclusão é do coordenador da Subcomissão de Bancos da CPI, deputado Benito Gama (PFL-BA), que salienta a importância dos documentos recolhidos, como provas para fundamentar as acusações. O relator da CPI, deputado Roberto Magalhães, começou a fazer o esboço de seu relatório com uma apreensão: ele teme que o corporativismo dos parlamentares se sobreponha às investigações e à punição dos culpados. Quando se chama um deputado para depor, há 10 ou 20 que são solidários
76842 a ele, afirma. Preocupado, o deputado faz uma advertência: ""Se o Senado e a Câmara não derem consequências ao trabalho da CPI, todos estaremos politicamente mortos". A CPI do Orçamento começou a calcular o tamanho do prejuízo causado pela corrupção com verbas públicas. Numa avaliação inicial, os danos causados pelo superescândalo do Orçamento já chegam a US$34,1 milhões. Só com as subvenções sociais foram desviados pelo menos US$31,1 milhões nos últimos três anos. Outros US$3 milhões foram encontrados na casa do economista José Carlos Alves dos Santos, que denunciou o caso. Este dinheiro também entra nas contas da CPI, já que foi obtido como forma de propina, segundo o depoimento de José Carlos à CPI. Esta é a primeira estimativa feita pela CPI. Estima-se que o rombo causado no Tesouro Nacional poderá superar a casa dos US$60 milhões: não foram ainda computados todos os desvios nas subvenções sociais. O valor resultante da evolução patrimonial ilícita dos parlamentares investigados também não foi totalizado (JC) (O Globo) (FSP).