QUINZE MILHÕES CRIANÇAS INDIGENTES

O Brasil tem 15 milhões de crianças e adolescentes menores de 18 anos vivendo como indigentes, segundo um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) a pedido do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (CONANDA) do Ministério da Justiça. O mapa do IPEA revelou que a cidade do Rio de Janeiro (RJ) concentra 471 mil menores indigentes, o maior número nessa categoria, seguida da cidade de São Paulo (SP), com 327 mil; Recife (PE), 283 mil; e Fortaleza (CE), com 229 mil. O Estado do Rio de Janeiro possui 690.764 menores indigentes. O mapa foi analisado ontem durante a reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA). "Tratar dessa questão deve ser prioridade absoluta. Não pode ser mais adiada", constatou o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, coordenador da campanha contra a fome e secretário- executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). Os 15 milhões de menores indigentes representam um quarto da população infanto-juvenil do país e praticamente a metade dos 32 milhões de indigentes existentes no país, sendo que 8,63 milhões desses menores que vivem na miséria encontram-se no Nordeste, quase a metade dos menores da região. Em seguida, vem a região Sudeste, que tem 3,35 milhões de menores na miséria; o Sul, com 1,67 milhão; o Centro-Oeste, com 746 mil; e a região Norte, com 343 mil. Do total de 15 milhões, 7,8 milhões de menores vivem no meio rural. O mapa da indigência infanto-juvenil do IPEA define como indigente a família que, se destinasse toda a renda mensal à alimentação, poderia, na melhor das hipóteses, comprar apenas os alimentos para assegurar sua necessidade nutricional. A Bahia, Minas Gerais e o Ceará são os estados com o maior número de menores brasileiros que vivem na miséria, sendo que detêm também o maior contingente de menores indigentes. A Bahia tem 2,1 milhões de menores nessa situação, Minas Gerais, 1,5 milhão, e o Ceará, 1,4 milhão de menores na miséria (O Globo).