BARELLI APÓIA MORATÓRIA PARA ENCARGOS SOCIAIS

O ministro do Trabalho, Walter Barelli, disse ontem que vai apoiar no governo a proposta defendida pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), de conceder moratória de um ano para o pagamento dos encargos sociais. Pela proposta, as empresas deixariam de pagar os encargos sociais que, segundo Betinho, correspondem a outro salário do trabalhador, e o dinheiro seria investido na geração de novos empregos. Barelli, que recebeu a sugestão ontem, na última reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), disse que a questão poderá ser analisada na revisão constitucional. "Em termos fiscais, acho que seria grave para o governo, mas há muito tempo eu defendo a eliminação dos encargos sociais", disse o ministro. Para tornar 1994 o ano da geração de empregos-- medida que o ministro considera fundamental no combate à fome-- Barelli defendeu ainda a releitura do Orçamento Geral da União. Sustentou que, em vez de os governos contratarem empresas para executar grandes obras, poderiam aproveitar mão-de-obra ociosa e gerar empregos. "Em vez de cavar um buraco com uma retroescavadeira em 10 minutos, o município poderia contratar moradores de uma favela para trabalhar durante um mês", exemplificou. Segundo Betinho, os nove milhões de desempregados do país precisam de um salário de US$100 a US$200 para sair da condição de miseráveis. Ele disse que os encargos sociais cobrados hoje no Brasil são equivalentes aos dos países desenvolvidos (O Globo).