Os países do MERCOSUL já se convenceram de que a cooperação técnica pode ter o mesmo potencial que o comércio entre os quatro países. Na semana passada, no "workshop" sobre cooperação técnica no MERCOSUL, patrocinado pela Comunidade Européia (CE) e executado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e pelo Itamaraty, foram discutidos 135 projetos selecionados entre 300 demandas de cooperação apresentadas. Seis grupos de trabalho analisaram projetos nas áreas de agricultura, indústria e teconologia. Um pedido de cooperação técnica na área de erva-mate foi considerado economicamente importante de ser executado. Está orçado em US$10 milhões e visa à criação do "mercomate", ou seja, a expansão das vendas do produto para terceiros mercados. Para isso, é preciso desenvolver um sistema de informações, "marketing" e normalização de padrões de qualidade. O projeto foi apresentado pela secretaria de agricultura do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Na área de reconversão industrial foi aprovado um projeto do setor farmacêutico, encabeçado pela associação das indústrias farmacêuticas argentinas. O objetivo é capacitar as empresas nacionais para enfrentar as concorrentes multinacionais. Na área de política energética e meio ambiente, vários estudos serão executados, em relação à bacia do Rio da Prata e solos. Foi proposta também a criação de um banco de dados sobre defesa do consumidor e da concorrência. Vários organismos internacionais estão interessados em financiar estudos e projetos no âmbito do MERCOSUL, como o BID, a UNESCO, a FAO, o Fundo da Bacia do Prata (Fonplata), a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), a CE e a OEA. A FAO financiou o projeto "políticas agrícolas e integração agropecuária", no valor de US$300 mil, que selecionará os produtos afetados pelo MERCOSUL. "Vamos selecionar regiões e os consultores vão apresentar alternativas para os produtores prejudicados", disse uma fonte do Itamaraty. O Fonplata financiará projetos sobre desenvolvimento regional e a OEA poderá apoiar um centro de treinamento e comércio para estimular a formação de "joint venture" e de técnicos envolvidos com a integração. Com a OMPI o subgrupo de cooperação técnica do Itamaraty já fez uma reunião. O projeto vai abranger cooperação em propriedade intelectual (direito autoral e patentes). O grupo mercado comum vai organizar seminários para a divulgação do MERCOSUL na CE, no NAFTA e no Japão (GM).