Os produtos brasileiros de exportação poderão em breve receber um "selo verde" certificando sua origem e garantindo que sua produção foi desenvolvida de acordo com as técnicas modernas de preservação do meio ambiente. A idéia vem sendo encaminhada pelo ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, Rubens Ricúpero, em parceria com a Sociedade Brasileira de Silvicultura, EMBRAPA e outras entidades para garantir que o selo terá credibilidade internacional. O "selo verde" faz parte de um programa mais amplo que pretende conscientizar o governo e a sociedade de que as questões ambientais devem ser encaradas como um componente dos custos de produção ou um elemento sem o qual não há desenvolvimento econômico possível. Para viabilizar este programa, Ricúpero vem reunindo empresários dos setores de papel, celulose, madeira, pesca e borracha, visando eliminar os entraves que impedem a condução de programas de desenvolvimento sustentado e novas fontes de financiamento. Nestes encontros ele se propõe a encaminhar as reivindicações dos empresários dos diversos setores às demais esferas do governo e aos organismos de financiamento internos e externos. As conversas com os empresários do setor de papel e celulose, responsável por 4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, já estão bem avançadas e permitiram, por exemplo, reduzir as barreiras impostas pela Alemanha às importações de papel e celulose brasileiros à medida em que a indústria conseguiu substituir o cloro no branqueamento do papel. Agora o ministro pretende rever algumas normas relativas à fiscalização das florestas nativas de forma a assegurar que os produtos comercializados sejam fruto de florestas plantadas ou projetos de manejo e não da extração de madeira nas florestas tropicais nativas. O programa de conscientização também já trouxe benefícios na área florestal, pois viabilizou a obtenção de um crédito de US$70 bilhões para o Pró- Floresta. O projeto, realizado na região da Mata Atlântica em Minas Gerais e sul da Bahia financia grandes programas e incentiva os pequenos fazendeiros a usarem as terras improdutivas para o plantio de mudas de eucalipto que, em muitos casos, terminam gerando mais renda do que a produção agropecuária (JB).