PF INDICIA 68 POR TRÁFICO DE CRIANÇAS NA PARAÍBA

A Superintendência da Polícia Federal na Paraíba encaminhou ontem à Justiça Federal relatório do inquérito policial que investigou durante dois anos a venda de bebês no estado. No inquérito foram indiciadas e enquadradas no Código Penal 68 pessoas, entre as quais 17 advogados, que comandavam quadrilhas especializadas no tráfico internacional de crianças. Dependendo das características da "encomenda", o preço de um bebê variava de US$5 mil a US$15 mil. Com a conivência de funcionários de cartórios, enfermeiras, parteiras e falsas mães, recrutadas nas favelas de João Pessoa, pelo menos 1.100 crianças paraibanas foram vendidas nos últimos cinco anos a casais estrangeiros. Os advogados são apontados como os chefes das quadrilhas especializadas no tráfico internacional de crianças. Os "traficantes" às vezes acompanhavam desde o nascimento da criança até o processo final de adoção, aparentemente legalizado, mas instruído com documentos falsos. O processo de adoção de bebês a casais estrangeiros transformou-se no maio escândalo na Paraíba entre 1988 e 1991. Há cerca de um ano e meio, o Tribunal de Justiça determinou medidas dificultando as adoções no estado. De 1991 até o primeiro semestre deste ano, apenas cinco processos foram aceitos (O ESP).