Durante o almoço que reuniu cerca de 30 integrantes do Conselho de Empresários da América Latina, em São Paulo (SP), o presidente da Vale do Rio Doce Internacional, Eliezer Baptista, falou sobre projetos para a integração física dos países da América Latina. Segundo ele, a materialização do MERCOSUL deve acontecer a partir da iniciativa privada, assim como ocorreu com o Mercado Comum Europeu. "Foram os empresários que facilitaram os acordos na Europa", disse Baptista, que já apresentou os projetos para a ligação entre os países do MERCOSUL nos setores de energia e telecomunicações a bancos japoneses e alemães. "Eles vêem com muita simpatia estes projetos", garantiu. De acordo com o embaixador Rubens Barbosa, parte do trabalho no MERCOSUL está baseado na teoria de Eliezer Baptista, que prevê a necessidade de uma grande costura entre os países para levar adiante o projeto de mercado comum. Ele alertou para as mudanças que a aprovação do NAFTA pelo Congresso norte-americano vai provocar nos países do Cone Sul. "Será cada vez mais difícil manter a participação brasileira nos países desenvolvidos. Os nossos manufaturados não vão entrar com facilidade nos EUA e, além disso, os produtos do NAFTA ainda vão competir no mercado interno brasileiro", diz Barbosa. Ele prevê dificuldades nos próximos dois anos para os setores de autopeças, calçados, têxteis e siderurgia. A saída para os empresários brasileiros, segundo o embaixador, é apostar no comércio com os países da América do Sul e da Ásia. "Temos de firmar o MERCOSUL para podermos atuar na economia mundial", afirmou (JB).