DENÚNCIA DE SEMI-ESCRAVIDÃO EM USINAS

O trabalho em regime de semi-escravidão a que são submetidos os 40 mil lavradores do Vale do jequitinhonha (MG) que migram todos os anos para canaviais no interior de São Paulo e minas de carvão no Mato Grosso do Sul em busca de emprego está entre as principais denúncias levadas por lideranças sindicais ao ministro do Trabalho, Walter Barelli, que visitou a região no último fim de semana. Castigado pela falta de chuvas-- este ano a seca já dura oito meses-- o Jequitinhonha, ou "Vale da Miséria", é integrado por 57 municípios. A exploração da mão-de-obra, inclusive infantil, é frequente em Dourados (MS), Ribeirão Preto e Limeira (SP). Nestes locais, segundo as denúncias, as usinas e minas chegam a manter alojamentos cercados por alambrados e vigiados por seguranças armados para impedir fugas. Barelli reconheceu as dificuldades de seu ministério, que tem 2.300 fiscais em todo o país, mas prometeu atender as reivindicações de instalação de subdelegacias do Trabalho. O ministro pediu a ajuda dos sindicatos dos trabalhadores rurais para reforçar a fiscalização: "Vamos criar sindicatos-irmãos, organizados", propôs (O Globo).