Documento interno do Partido dos Trabalhadores (PT) propõe que a reforma agrária, no sentido de uma ampla redistribuição de terras, não integre o programa de governo com o qual o presidente do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, concorrerá à Presidência da República em 1994. O texto, editado em setembro sob a forma de um caderno de 37 páginas, foi produzido pelas secretarias Agrária e de Formação Política do partido e traz propostas de seis autores, para a discussão do que deva ser a plataforma de Lula para a política agrária. Só uma dessas propostas, assinada por João Pedro Steddle, do Movimento dos Sem-Terra, defende a posição tradicional do PT, segundo a qual um plano "para ser democrático e popular", implica no fim das estruturas que concentraram a propriedade rural nas mãos de uma minoria. Mas essa solução é descartada por outros autores convidados a expor seus pontos de vista. José Graziano da Silva, professor da Universidade Estadual de Campinas, diz que a tese da "reforma agrária ampla, geral e massiva" não deve continuar sendo o eixo do programa petista. "Não acredito que teremos uma maioria parlamentar sólida para conseguir as mudanças constitucionais necessárias", diz ele. Sua sugestão, entre outras, é de que um eventual governo do PT afronte a pobreza no campo, por meio de programas específicos (escolas, postos de saúde, saneamento) que beneficiem e urbanizem as vilas rurais. Outro professor, Zander Navarro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, argumenta ser politicamente impossível levar o "movimento social" a apoiar e pressionar um futuro governo petista para que ele rompa com a estrutura no campo. Também afirma que não se pode suspender créditos para as propriedades agrícolas empresariais, para não provocar desabastecimento (FSP).