BRASIL E ARGENTINA DEVEM REUNIR SEUS MINISTROS

A complexidade das relações entre o Brasil e a Argentina, em virtude das diferenças macroeconômicas e da necessidade de definição da tarifa externa comum do MERCOSUL, cujas negociações foram suspensas há poucos dias, exigirá um nível mais elevado no diálogo de autoridades brasileiras e argentinas. Tudo indica que em data ainda a ser fixada se reunirão os chanceleres e os ministros da Fazenda dos dois países, segundo fontes do Itamaraty. No dia sete de setembro último, quando em nível técnico as negociações entre os dois países haviam emperrado, sobretudo por pendências comerciais cobradas pela parte brasileira, reuniram-se em Brasília (DF) o ministro da Economia, Domingo Cavallo, e seu colega da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Desta vez, entretanto, os problemas são mais sérios. O chanceler Celso Amorim tem declarado que o momento é delicado e que a retórica deve-se adaptar à realidade ou vice-versa, referindo-se ao fato de que Brasil e Argentina devem refletir que tipo de relacionamento desejam entre si no MERCOSUL. As negociações em nível de secretário de comércio exterior, de secretário de política econômica e de subsecretário de integração do Itamaraty esgotaram-se na reunião realizada em Montevidéu, no último dia 13, quando os quatro países do MERCOSUL tentaram aplainar o caminho na área da tarifa externa comum para tornar mais fácil o trabalho dos ministros da Economia e dos presidentes. Contribuíram para tornar mais delicadas as relações, as declarações recentes do ministro Domingo Cavallo e a pressão exercida pela União Industrial Argentina (UIA) para adiar por dois anos a entrada em vigor do MERCOSUL (GM).