O governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB), o secretário de Segurança, Michel Temer, e o coronel Mello Araújo, comandante da tropa de choque da Polícia Militar, serão processados criminalmente pela violência cometida contra as 1.600 crianças do acampamento dos sem-terra na fazenda Ribeirão dos Bugres, em Getulina (SP), despejadas à força no último dia 19. O advogado Benedito Antônio Santos, coordenador do Conselho de Direitos Humanos da OAB, esteve ontem em Getulina preparando o processo que será encaminhado hoje à Justiça, em Brasília (DF). O bispo de Lins, dom Irineu Danelon, que tentou em vão impedir que as tropas utilizassem cães, cavalos e bombas de gás contra as crianças, disse que em toda a sua vida nunca assistiu a tamanha barbaridade. "Parecia o fim do mundo quando os soldados investiram desnecessariamente sobre os sem-terra e sobre as crianças com todo aquele aparato de guerra", conta o bispo. Dom Irineu lembra que o Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu Artigo 18, diz que os menores não podem ser submetidos a violências como as cometidas pela PM, que feriu várias crianças, entre elas uma menina de oito anos, que sofreu diversas fraturas ao ser pisoteado por cavalos, e um bebê de oito meses, agredido com um golpe de espada nas costas (JB) (O ESP).