O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, acredita que o presidente Itamar Franco não sancionará o tratado de troca de prisioneiros entre Brasil e Canadá, aprovado este ano pelo Senado Federal. O acordo beneficiaria os dois sequestradores canadenses do empresário Abílio Diniz, David Spencer e Christine Lamont, presos na Casa de Detenção de São Paulo e condenados a 28 anos de prisão. Corrêa disse ontem que a decisão é exclusiva do presidente, que, segundo ele, tem se manifestado favoravelmente à permanência do casal no Brasil, onde também estariam ligados aos sequestros do empresário Luiz Salles e do banqueiro Beltran Martinez, com os quais levantaram US$6,5 milhões. Presos em dezembro de 1989, David e Christine lutam através de seus advogados pela volta ao Canadá e também pela redução de suas penas. Um gigantesco lobby liderado pelo embaixador canadense no Brasil, Willian Dymond, junto a autoridades do Judiciário e do Legislativo, conseguiu que o tratado de troca de prisioneiros entre os dois países fosse aprovado pelo Congresso Nacional, após uma negociação iniciada em 1987, dois anos antes do sequestro de Diniz. Há quatro anos a prisão de David e Christine mobiliza a opinião pública canadense. Mais de 30 mil pessoas assinaram manifesto em defesa do casal que, para elas, seria inocente no sequestro de Abílio Diniz. O Parlamento do Canadá, que abraçou a defesa dos dois movido pela pressão da imprensa e dos eleitores, acredita na curiosa tese de que o casal não sabia que a casa onde moravam em São Paulo guardava um empresário sequestrado. O governo liberal do Canadá, que tomou posse há 10 dias, vai pressionar as autoridades brasileiras para conseguir a extradição de Christine e David. Um de seus principais argumentos é uma carta do cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, na qual ele diz ter "a íntima convicção da inocência de Christine e David" (JB) (O Globo).