HERBERT DE SOUZA CRITICA EXPULSÃO DE SEM-TERRA EM SÃO PAULO

A rapidez com que a Justiça funcionou na expulsão das 2.500 famílias que ocuparam as fazendas em Getulina (SP) revoltou o articulador nacional da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), que considerou o episódio um "retrato do Brasil atual". Em questão de horas a Justiça concedeu a liminar que permitiu a remoção
76712 das famílias que haviam ocupado terras consideradas improdutivas pelo
76712 INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), protesta ele. "Se tanta coisa espera neste país, por que não se podia esperar mais algum tempo antes de remover as famílias à força?", questiona Betinho, que foi surpreendido pela intervenção da polícia quando fazia gestões para que o presidente Itamar Franco interviesse em favor dos sem-terra. Isso é um escândalo, uma total iniquidade. Estou indignado. Se isso for
76712 a Justiça brasileira, eu sou contra a Justiça, quero que ela acabe, que ela
76712 seja substituída imediatamente por outra. A CPI do Orçamento precisa
76712 chegar imediatamente à Justiça, diz ele. O motivo maior da revolta, explica Betinho, é a desigualdade da ação da Justiça: "Ela é de uma lentidão absoluta quando é contra os ricos, mas muito rápida quanto é contra os pobres". Betinho concluiu o desabafo dizendo-se pronto para assumir as consequências de suas denúncias: "Se quiserem me prender entrego minhas mãos às algemas na segunda-feira" (JB).