A família do ex-presidente José Sarney, senador pelo PMDB do Amapá, aprovou emendas para o Orçamento Geral da União de 1992 que desviavam mais de US$23 milhões para o Maranhão. O ex-presidente destinou US$153 mil à Fundação da Memória Republicana, em São Luís, dos quais US$55 mil foram gastos no museu onde foi construído seu próprio mausoléu. Os trabalhos da draga que abre um canal de acesso à casa do senador na Ilha de Curupu foram paralisados há uma semana, depois que se levantou a suspeita de que a obra, estimada em US$500 mil, é um favor do empreiteiro Onofre Vaz. A draga, levada para a ilha no fim de agosto, está abrindo um canal de 100 metros de extensão por quatro metros de profundidade, para permitir a passagem de lanchas e iates na maré baixa. Rosane Collor, ex-primeira-dama, não foi a primeira mulher do Palácio do Planalto que teve um PC (Paulo César Farias) para bancar suas despesas. Roseana Sarney, no período em que o pai era presidente, utilizou-se dos favores de um dos mais ativos lobistas, o hoje banqueiro Edemar Cid Ferreira, que pagou despesas de suas viagens. Roseana tinha cartão de crédito em que aparecia como dependente do banqueiro. Denunciado por crime de responsabilidade, com cinco de seus ministros, por desvio de recursos públicos em seu governo, o ex-presidente Sarney ainda está devendo explicações ao povo brasileiro. Embora formalmente interpelado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Corrupção do Senado Federal que investigou as denúncias de irregularidades, ele não respondeu às 67 perguntas que lhe foram encaminhadas. "Sarney tinha a obrigação legal de responder ao questionário e, se ele não fez isso, será cobrado pela História", afirma o ex-senador José Ignácio Ferreira (PMDB-ES), que presidiu a CPI e até hoje, cinco anos depois, não se conforma com seu arquivamento. Ele tem esperança de que as conclusões sobre a corrupção no Executivo possam ser aproveitadas, agora, pela CPI do Orçamento. "O relatório da CPI de Sarney foi arquivado por uma decisão monocrática do então presidente em exercício da Câmara, Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), mas continua à disposição nos arquivos do Senado, com milhares de provas, para ser examinado pela CPI do Orçamento", disse o ex- senador. "As irregularidades constatadas em 1988 deram ao país um prejuízo de bilhões de dólares", afirmou (JB).