Novos embates entre a Polícia Militar e grupos de sem-terra ocorreram na noite de anteontem em Getulina (SP). Os cerca de 6,5 mil agricultores foram expulsos das fazendas Jangada e Ribeirão dos Bugres na tarde do dia 19. Horas depois, um grupo de aproximadamente mil pessoas armava um acampamento na área urbana do distrito de Macucos. A PM agiu com bombas de gás lacrimogêneo e golpes de cassetete. Os sem-terra com paus e pedras. Uma parte dos agricultores se refugiou na Igreja Santa Terezinha, que se tornou um albergue improvisado para as famílias desalojadas. Ontem, o bispo de Lins (SP), dom Irineu Danelon, emitiu uma nota de repúdio à ação da polícia nos episódios relativos à desocupação das fazendas. Segundo ele, o fato de os sem-terra já estarem desarmando suas barracas tornava dispensável a investida das tropas. Já estávamos de saída e os soldados não precisavam ter agredido as
76704 pessoas. Eu tinha algum dinheiro guardado no barraco e os policiais
76704 levaram. Agora não tenho como provar, dizia ontem o agricultor Geni Oliveira da Costa. Os agricultores e líderes do Movimento dos Sem-Terra afirmavam ontem que uma criança de nove meses e um homem teriam morrido durante a batalha do diz 19. Os hospitais e os necrotérios da região, no entanto, não tinham qualquer registro dos casos. A maior parte dos 50 feridos durante a desocupação das fazendas tinha recebido alta dos hospitais já na tarde de ontem. Segundo o comando da PM, porém, o número de feridos não passa de 17 (O Globo).