ARGENTINA DENUNCIA SUBSÍDIOS NO BRASIL

Os industriais argentinos denunciaram o não cumprimento por parte do Brasil de acordos básicos de integração e pediram formalmente ao governo a ampliação do período de transição para o MERCOSUL. Jorge Blanco Villegas, presidente da União Industrial Argentina (UIA), declarou que o Brasil mantém "subsídios encobertos de tal magnitude que não podem ser aceitos" por este país. A Argentina "tem feito um enorme esforço" para se ajustar à letra dos acordos e aos prazos do MERCOSUL "e conseguiu fazê-lo, mas o nosso maior parceiro tem a casa em desordem", disse Blanco. A UIA formalizou, no Ministério da Economia, sua solicitação de que seja adiada a entrada em vigor do MERCOSUL, que deveria ocorrer em 1o. de janeiro de 1995. Blanco Villegas argumentou que "o Brasil não cumpriu os princípios básicos" de sua integração com a Argentina, Paraguai e Uruguai, que o obrigariam a eliminar as "assimetrias" econômicas que distorcem o comércio regional. A elevada inflação oculta privilégios para as exportações do Brasil que nos causam muitos problemas, acrescentou. O ministro da Economia, Domingo Cavallo, prometeu estudar o documento da UIA, ainda que seus assessores e a chancelaria tenham esclarecido que não será possível adiar o MERCOSUL. Cavallo respondeu a Blanco Villegas que o Tratado de Assunção prevê acordos setoriais e cláusulas de salvaguarda para corrigir o impacto das distorções e irregularidades denunciadas pela UIA. Por sua vez, o vice-ministro Carlos Sanchez destacou que compromissos políticos impedem a prorrogação dos prazos, mas admitiu que existe preocupação na Argentina diante dos problemas políticos e econômicos do Brasil (JC).