O deputado Genebaldo Correia (PMDB-BA) confessou ontem ter cometido crime eleitoral ao tentar explicar à CPI do Orçamento a origem do dinheiro encontrado em suas contas bancárias. Genebaldo recebeu US$1,665 milhão em depósitos nos últimos cinco anos. O deputado disse que "amigos e pessoas jurídicas" deram dinheiro para suas campanhas eleitorais, mas não explicou por que foram feitos depósitos mesmo nos anos em que ele não disputou eleições. De 1989 até hoje, Genebaldo só se candidatou em 1990, quando se reelegeu deputado federal. A lei proíbe que candidatos recebam doações em seu nome. Elas devem ser feitas em nome do partido. Até o ano passado não eram permitidas doações de empresas. "Escolhi o caminho menos esperto e não estou sozinho nisso", afirmou Genebaldo, sugerindo que todos os políticos, inclusive os parlamentares da CPI, desrespeitam a legislação eleitoral. Segundo o procurador da República na Justiça Eleitoral, Geraldo Brindeiro, explicar depósitos elevados como sobra de campanha é falta de decoro parlamentar e pode também levar à cassação. Em seu depoimento, o deputado caiu em contradições ao dar detalhes sobre a compra de um apartamento em Salvador (BA). Ele também não apresentou documentos para comprovar a versão de que deu três cheques ao deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) em 28 de julho de 1989 em razão da compra de uma caminhonete. Perguntado se recebeu dinheiro do deputado João Alves (PPR- BA), Genebaldo preferiu o silêncio (O ESP) (FSP) (JB).