A União Industrial Argentina (UIA) solicitou formalmente que o governo adie por dois anos os prazos de integração do MERCOSUL, devido aos efeitos prejudiciais gerados pelas distorções macroeconômicas do Brasil sobre o setor fabril. Os industriais destacaram sua grande preocupação com as desigualdades com o Brasil e pediram, sem receptividade das autoridades econômicas, que sua solicitação-- feita ontem ao ministro da Economia, Domingo Cavallo, pelo presidente da UIA, Jorge Blanco Villegas, junto a outros empresários-- fosse levada em conta. O vice-ministro da Economia, Carlos Sanchez, e o secretário de Programação Econômica, Juan Llach, se opuseram terminantemente aos industriais. "Arriscamos muito se nos deixarmos levar pela histeria que produzem as dificuldades conjunturais", disse Sanchez aos empresários, destacando que "existem compromissos políticos que o país não pode ignorar". Além disso, ressaltou, "a longo prazo existe um ganho indubitável se conseguirmos coordenar as economias de ambos os países". Llach afirmou que existem mecanismos previstos no Tratado de Assunção para solucionar desigualdades e que é impensável qualquer outro tipo de alternativa. "Parece-nos estranhos surgir, nesse momento, tamanha preocupação, pois a Argentina está seriamente comprometida com o MERCOSUL", destacou, criticando aqueles que garantem que a Argentina abandonará o MERCOSUL para juntar-se ao NAFTA (JC).