Segundo as informações, os trabalhadores brasileiros serão obrigados a conviver, durante este ano, não apenas com um ritmo menor de crescimento do emprego, mas também com uma queda de seus rendimentos em relação a 1986. Os cerca de 22 milhões de assalariados do mercado organizado da economia terão uma perda média anual de salário entre 8% e 18,3% sobre 1o. de março do ano passado, mesmo com a manutenção do gatilho (reajuste automático de salário toda vez que a inflação acumulada atingir 20%). Os que compõem o mercado informal-- sem carteira assinada e por conta própria-- terão perdas ainda maiores em função do realinhamento de preços. "O gatilho não garante a recomposição do salário, não apenas porque existe um intervalo entre o aumento de preços e o de salários, mas também pelo resíduo que fica depois do disparo", afirma o economista Carlos Alberto Ramos, consultor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e técnico do Ministério do Trabalho. Por exemplo, com uma inflação mensal de 2% ao mês, o gatilho seria disparado depois de 10 meses e o trabalhador teria uma perda anual de 8,06% em relação ao salário vigente em 1o. de março de 1986. Numa inflação de 19% ao mês dispararia o gatilho 10 vezes em um ano e o salário teria uma perda média de 18,3% sobre 1o. de março. Em qualquer caso, a perda do valor real do salário só poderá ser compensada através de ganhos reais nas negociações em sua data-base (FSP).