CONGRESSO USOU SUBVENÇÕES PARA PAGAR VIAGENS

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal receberam no ano passado US$3,3 milhões das subvenções sociais do Orçamento Geral da União. O dinheiro foi gasto com viagens de parlamentares ao exterior. Entre os parlamentares que tiveram viagens pagas pelas verbas, estão os deputados João Alves (PPR-BA), Genebaldo Correia (PMDB-BA) e Cid Carvalho (PMDB-MA), implicados no escândalo do Orçamento. As subvenções sociais foram criadas no Orçamento para destinar dinheiro a fundo perdido a entidades beneficientes e filantrópicas. A Câmara teve acesso a US$1,5 milhão e o Senado recebeu US$1,8 milhão em 1992. No Orçamento de 1994, a Câmara deverá receber CR$218 milhões (US$3,6 milhões) e o Senado CR$51 milhões (US$860 mil). O depoimento da ex-mulher do deputado federal Manoel Moreira (PMDB-SP), Marinalva Soares da Silva, à CPI do Orçamento, ontem, atingiu o esquema político do ex-governador de São Paulo e ex-presidente do PMDB, Orestes Quércia. Um dos principais aliados de Quércia no Congresso Nacional, Moreira é apontado como envolvido no esquema de manipulação do Orçamento da União e é acusado de enriquecimento ilícito pela ex-mulher. Marinalva também reafirmou acusações que fez a dois integrantes do primeiro escalão do atual governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury (PMDB)-- o secretário dos Transportes, Wagner Rossi, e o assessor do governador para privatizações, Frederico Mazzuchelli. Segundo Marinalva, eles deram a Moreira US$60 mil para que o deputado se tornasse sócio de uma empresa chamada Pro-Bombas. Ela acusou o deputado de usar a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) para montar seu esquema político, junto com a irmã de Quércia, Maria Alice. Obras da estatal paulista seriam feitas apenas por empreiteiras indicadas pelo deputado. Marinalva ofereceu à CPI sua vida para ser "devassada" e afirmou que, mesmo se estivesse casada com o deputado, denunciaria o seu enriquecimento ilícito. O motorista Eli Lopes Leitão, que trabalhou com o deputado João Alves e já depôs na CPI, comprometeu ontem na Polícia Federal o deputado Fábio Raunheitti (PTB-RJ). Segundo Eli, Raunheitti depositou dinheiro na conta de Alves. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Antonio Carlos Amorim, criticou ontem duramente a CPI da máfia do Orçamento. Segundo ele, os membros da CPI estão ultrapassando os limites de sua competência nas esferas policial e jurídica. O desembargador condenou a divulgação de informações e disse que os parlamentares estão agindo motivados pelas eleições do ano que vem e seduzidos pelo assédio da imprensa. Com isso, segundo ele, alertam os criminosos e favorecem a destruição de provas que mais tarde seriam úteis ao processo criminal. A Clínica Daher, do Lago Sul de Brasília (DF), onde o deputado João Alves fez cirurgia plástica, recebeu o equivalente a US$300 mil em subvenções sociais, em repasses realizados nos anos de 1990 e 1991, anos em que Alves foi relator geral do Orçamento da União. O dinheiro foi repassado para a Associação de Proteção ao Homem (APH), braço filantrópico da clínica, dirigida pelo cirurgião plástico José Carlos Daher (O ESP) (O Globo) (JB).