LULA CRITICA HEGEMONIAS NO MERCOSUL

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Luís Inácio Lula da Silva, disse ontem, em Montevidéu, no Uruguai, que o Brasil não pretende "colonizar" os países menores da América Latina, no processo de integração regional que irá instalar o MERCOSUL. Segundo ele, a integração deve contemplar, não somente o interesse dos empresários, mas também o interesse dos povos envolvidos. A afirmação foi feita depois de um encontro com o presidente uruguaio Luís Alberto Lacalle. "Queremos uma integração muito civilizada, uma integração em que um país maior não venha a colonizar um país menor", disse. O presidente do PT criticou as pessoas que fazem a apologia do crescimento econômico e da redução da inflação sem mencionar seus custos sociais. Ele afirmou que existe uma classe ou elite que, depois de governar por muitos anos, "não deixou um único indicador que possa demonstrar que melhorou a qualidade de vida no país". Lula classificou os defensores do neoliberalismo como "capitalistas para os quais ainda não chegou a revolução francesa". Estes capitalistas, disse, criticam o Estado, mas se beneficiaram deste "como ninguém nos últimos 50 anos". Lula pediu aos foros internacionais maior atenção para os países "pobres, subdesenvolvidos" e, nesse sentido, disse que a Organização das Nações Unidas (ONU) "não pode estar subordinada" às nações mais poderosas (JC).