O prazo limite para a efetivação do acordo da dívida externa brasileira com os bancos credores internacionais-- que se refere a US$35 bilhões-- foi ontem mais uma vez prorrogado, passando do dia 28 de fevereiro para 15 de abril do próximo ano. É a quarta vez que a data sofre alterações pelo mesmo motivo: a demora do governo em garantir as medidas necessárias ao ajuste fiscal, condição sem a qual o país não conseguirá fechar um acordo do tipo "standy by" com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O novo prazo foi acertado esta semana, em Nova Iorque (EUA), pelo negociador da dívida externa, André Lara Resende, junto com o presidente do Banco Central, Pedro Malan. O adiamento foi provocado também pelo escândalo do Orçamento. Segundo o presidente do BC, três discussões ficaram prejudicadas pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Orçamento: a revisão constitucional, o ajuste fiscal e as previsões orçamentárias para 1994. Sem a definição destes pontos, o governo não pode receber o aval do FMI exigido para a assinatura do acordo. Os credores do Brasil começam, no entanto, a assinar o acordo de redução da dívida externa do país via Plano Brady no próximo dia 29, em Toronto, no Canadá, segundo anunciaram ontem o vice-presidente do conselho do Citibank, William Rhodes, e o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. A documentação para o acordo já está concluída. O acordo da dívida externa depende não apenas do acordo com o FMI-- uma missão do Fundo vem ao Brasil no meio deste mês-- mas também da adesão, nos termos propostos pelo Brasil, da família Dart, que comprou títulos da dívida externa brasileira no mercado secundário, detendo hoje créditos de US$1,4 bilhão de valor de face (GM) (FSP).