O empresário alagoano Paulo César Farias, o PC, tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor de Mello e foragido da Justiça brasileira há quatro meses, virou caso de polícia na Inglaterra. Há cinco dias, a Scotland Yard, uma das polícias mais respeitadas do mundo, está em seu encalço, para cumprir ordem da Justiça inglesa que manda prendê-lo, com base num "special arrangement", acordo inédito entre os governos do Brasil e da Inglaterra. O arranjo especial-- assinado no último dia 29, após duas semanas de negociações sigilosas-- é um vitória da diplomacia brasileira e mostra, segundo o chanceler Celso Amorim, que a corrupção está mobilizando a comunidade internacional. O processo de extradição de PC, que já estaria em outro país, só começa se ele for preso. A partir disso, o Ministério Público britânico terá 60 dias para convencer a Justiça de que PC é culpado e deve ser devolvido ao Brasil. PC poderá responder ao processo em liberdade, bastando para isso pagar fiança. Paralelamente às negociações sobre PC, o governo brasileiro já abriu conversações para assinatura de um tratado formal e definitivo de extradição com a Inglaterra. Ontem, cerca de 50 brasileiros fizeram manifestação em Londres pedindo a prisão de PC (JB) (O Globo).