Um documento oficial preparado pela assessoria técnica do Congresso Nacional, com um total de 352 páginas, informa que houve 2.800 adulterações no Orçamento Geral da União para 1992. Esse relatório põe em dúvida um dos pontos centrais do depoimento prestado ontem à CPI do Orçamento pelo deputado Ricardo Fiúza (PFL-PE). Ele negou a existência de alterações. As adulterações foram inseridas depois que o Orçamento já tinha sido votado pelo plenário do Congresso. As mudanças envolviam um valor estimado em US$640 milhões. O relatório foi preparado em setembro de 1992. Ontem, Fiúza disse que as suspeitas foram levantadas à época e, após investigações, o senador Magno Barcelar (PDT-MA) emitiu parcerer que afastava esse risco. Na verdade, o parecer de Barcelar foi redigido pelo ex-assessor do Senado José Carlos Alves dos Santos, principal suspeito de ter introduzido as adulterações no Orçamento. Indagado a respeito, Barcelar disse ter solicitado o parecer à assessoria técnica da Comissão de Orçamento. O deputado Ricardo Fiúza deixou, em seu depoimento, três questões sem respostas: 1) a evolução do seu patrimônio; 2) as alterações ao Orçamento de 1992, quando ele era o relator; e 3) os critérios para liberar o dinheiro das emendas de subvenções sociais. O deputado reconheceu que a estrutura da Comissão Mista de Orçamento "é caldo de cultura para a corrupção", e disse que todos os partidos atuavam na elaboração do Orçamento da União. Ele admitiu apenas ter incluído muitas emendas a pedido de parlamentares, mas todas legais. Negou ter sabido que os patrocinadores destas emendas tivessem recebido proprina de empreiteiras (FSP) (O Globo).