O esquema de corrupção das verbas do Orçamento montado pelo deputado João Alves (PPR-BA) para distribuir dinheiro aos políticos do grupo que manipulava o dinheiro público dispõe de excepcional estrutura em Brasília (DF), da qual fazem parte uma agência de turismo, a W.S. Turismo, uma empresa que opera com ouro e dólar, a Ourobrás, e um banco do Rio de Janeiro (RJ), o Banco Audi. Documentação que foi recebida ontem pela CPI do Orçamento mostra que, além de assinar em nome de suas duas empregadas, João Alves usava um casal de doleiros de Brasília-- Wilma Magalhães Soares e seu marido, Sílvio Soares-- para gerir negócios de corrupção. Wilma e Sílvio, segundo apurou a CPI, estão incriminados na Polícia Federal por evasão de divisas. Wilma assinava cheques de fantasmas do esquema de corrupção do deputado. A CPI do Orçamento recebeu um depoimento reservado que pode desvendar um dos supostos esquemas de lavagem de dinheiro e remessa de dólares para o exterior que seria usado pelo deputado João Alves. O depoimento foi feito pelo piloto Luiz Roberto de Barros Araújo, foragido da Justiça. Segundo ele, João Alves usaria a representação brasileira do IDB (Israel Discount Bank) para remeter dólares para o exterior. O depoimento foi entregue ao deputado Aloízio Mercadante (PT-SP). Acusado de crime de extorsão, Barros Araújo declara que ele próprio usou o IDB para mandar para fora do país dólares que obteve ilegalmente. O piloto se dispôs, em diálogo com Mercadante, a se entregar à polícia, desde que obtenha garantias de vida. Se ofereceu também para fornecer detalhes sobre os mecanismos de repatriação ilegal de dólares. Os primeiros extratos das contas bancárias do deputado João Alves revelam que no mês de março deste ano ele movimentou, na agência da Caixa Econômica Federal (CEF) no Congresso, o equivalente a US$4 milhões. No dia 31 de março, Alves recebeu um crédito de US$1,9 milhão, que no mesmo dia saiu de sua conta em cinco pagamento iguais de US$390 mil (O ESP) (FSP) (JB).