A líder indígena Quitéria Biruga, da tribo Pankararu, está refugiada na sede da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) em Recife (PE) desde o último dia 27 de outubro, quando escapou de uma emboscada no Município de Petrolândia, naquele estado. Quitéria comanda a luta dos 5.600 índios de sua tripo por mais terras há dois meses, desde que o cacique João Monteiro sofreu atentado. Os pankararus tentam garantir a posse de 8.300 hectares da reserva indígena que foram ocupados por 400 posseiros, incluindo vários fazendeiros. O prazo constitucional para demarcação de todas as terras indígenas do país terminou no dia cinco de outubro passado, mas em muitos estados a FUNAI não recebeu verbas para indenizar posseiros que ocuparam reservas. Até ontem, a Polícia Federal não tinha providenciado a proteção pedida por Quitéria. O atentado contra ela ocorreu depois que os pankararus compraram 200 rolos de arame farpado e cercaram 8.300 hectares de terras pertencentes a sua reserva, no início da semana passada. Os posseiros arrancaram as cercas e contrataram um pistoleiro para matá-la. Além dos atentados contra ela e o cacique João Monteiro, os conflitos com posseiros provocaram a morte do pankararu Severino Barros, há dois meses. A violência contra tribos que vivem em Pernambuco provocou a morte de cinco índios nos últimos dois anos, segundo informação da Comissão Pastoral da Terra (CPT). O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) denunciou que há dias quatro índios kambiwá foram presos arbitrariamente pela polícia, porque lideravam manifestação de protesto contra invasores de suas terras. Em Pernambuco vivem cerca de 16 mil índios, de sete nações: Xucuru (no Município de Pesqueira), Truká (Cabrobó), Kapinawá (Buíque), Fulni-o (Águas Belas), Pankararu (Petrolândia e Tacaratu), Kambiwá (Inajá e Ibimirim) e Atikum (Carnaubeira). Todos esses grupos indígenas enfrentam problemas com invasores de suas áreas (JB).