Documentos oficiais mostram que foram incluídas no Orçamento Geral da União de 1992, relatado pelo deputado Ricardo Fiúza (PFL-PE), "emendas fantasmas" no valor de US$161,5 milhões (CR$28,5 bilhões) destinadas a obras do setor elétrico, tocadas por empreiteiras. O documento detalha algumas das emendas incluídas na lei orçamentária depois que o projeto havia sido aprovado pelo Congresso Nacional. Ricardo Fiúza, que depõe hoje na CPI do Orçamento, nega a existência de emendas fantasmas. O documento que desmonta sua versão é assinado por José Roberto Nasser Silva, então chefe da Assessoria de Orçamento da Câmada dos Deputados, e Orlando José Leite de Castro, à época diretor da Subsecretaria de Orçamento do Senado Federal. José Carlos Alves dos Santos disse que a votação (realizada em 1991) do Orçamento de 1992 foi uma fraude. O projeto foi adulterado, segundo ele, em reuniões posteriores, na casa de Fiúza, no Centro de Processamento de Dados do Senado e no Departamento de Orçamento da União. Estima-se que cerca de 600 "emendas fantasmas" tenham sido incluídas no Orçamento depois de sua aprovação no Congresso e antes da sanção do projeto pelo então presidente Fernando Collor de Mello. O deputado Ricardo Fiúza vai ter de explicar hoje porque sua variação patrimonial (aumento de seu patrimônio) não coincide com a renda declarada à Receita Federal. Os membros da subcomissão de patrimônio da CPI do Orçamento querem saber como o deputado aumentou seu patrimônio de US$1,7 milhão, em 1988, para US$7,3 milhões, em 1992 (4,29 vezes) (FSP).