Os 2.530 detentos do Rio de Janeiro aderiram à Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida-- a campanha contra a fome liderada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE). Eles vão deixar de fazer seis mil refeições no próximo dia 19, quando uma caravana de voluntários da Ação da Cidadania passará por seis cadeias para recolher as doações. O ponto de partida será a Penitenciária Talavera Bruce, em Bangu, subúrbio do Rio, onde estarão Betinho e a diretora do DESIPE (Departamento Penitenciário), Julita Lemgruber, Os gêneros alimentícios a serem entregues seriam suficientes para o preparo de quatro refeições para cada uma das 280 presas. As outras unidades envolvidas são a penitenciária Moniz Sodré, também em Bangu, o presídio Evaristo Morais (Galpão da Quinta), em São Cristóvão, o Instituto Penal Romeiro Neto, no Município de Niterói (RJ), e as penitenciárias Milton Dias Moreira e Pedrolino Werlin de Oliveira, ambas no Complexo da Frei Caneca. A comida será distribuída em comunidades próximas às cadeias. Não é por caridade que vamos fazer isso, não. É porque achamos que, se
76535 os menores deixarem de ter fome, não vão virar bandidos e acabar aqui
76535 neste inferno, que é a cadeia, afirma Marilda Mila Mendes de Araújo, a Mila, 35 anos, encarcerada há dois anos na Talavera Bruce. "Uma amiga presa no Instituto Penal Romeiro Neto teve a idéia em julho e eu resolvi agitar a parada", conta ela. Em cartas enviadas de uma cadeia para outra, ou em visitas íntimas entre presos e presas, a notícia correu. No mês seguinte chegou aos ouvidos dos integrantes da campanha. A colaboração das presas do Talavera Bruce não vai se resumir às doações de alimentos. As detentas formaram o Comitê União, para que a mobilização pela campanha contra a fome não termine. O próximo passo delas será vender o artesanato que fazem na cadeia-- quadros, bonecas, bolsas e roupas-- e destinar parte do dinheiro arrecadado para a compra de alimentos (O Dia).