O mercado brasileiro de informática completou, na semana passada, um ano sem reserva para a indústria nacional. Computadores Macintosh, notebooks Compaq e Toshiba, micros IBM e impressoras a laser das mais diversas marcas estão nas lojas brasileiras. O aumento da oferta forçou a queda de preços. No mês passado, um microcomputador 486DX de 33 MHz custava em média US$2.308, uma redução de 37% em relação a setembro de 1992, segundo pesquisa realizada pela Automática, entidade que reúne as empresas de informática. Nem todos estão satisfeitos, porém. Os empresários estrangeiros dizem que ainda há proteção para a indústria nacional e todos, brasileiros e estrangeiros, reclamam do contrabando. Houve a liberação, mas ainda se dá muita proteção à indústria
76534 nacional, em função da tributação, diz Wang Chi Hsin, presidente da Epson Brasil, que tem hoje mais de 500 revendas atuando no país, contra cerca de 100 há um ano. As barreiras tarifárias não caíram como poderiam, concorda Eduardo Carvalho, diretor da CompuHelp, destribuidora da Apple. Para Carlos Lohmann, diretor de operações PS da IBM Brasil, a tributação faz com que as empresas vendam menos do que poderiam. Apesar dos impostos, a IBM ampliou em muito sua ação no Brasil, devendo terminar o ano como um dos maiores vendedores de micros, se não passar a ocupar a liderança do mercado, com mais de 30 mil máquinas vendidas. A marca líder do mercado, hoje, chama-se contrabando, diz Cândido Leonelli, diretor da Scopus. Segundo ele, micros vendidos ilegalmente representam 60% do mercado. "Tem o contrabando puro, o importabando e o Manausbando. Não dá para competir com os preços de quem não paga impostos", diz. O saldo que as empresas de software fazem após um ano do fim da reserva de mercado é um só: a reserva não acabou. Quem afirma é o presidente da Abes (Associação Brasileira de Empresas de Software), Carlos Sacco. Segundo ele, a atual carga tributária para equipamentos importados dificulta a "proliferação de microcomputadores". Mesmo sem a reserva, o consumidor pode comprar máquinas importadas, "mas paga um preço muito alto por tecnologia de fora", diz (FSP).