As camisetas "ecológicas" da Greenpeace, vendidas para angariar fundos da luta ambiental, vão poder ser fabricadas ainda este ano com algodão orgânico do Ceará. As primeiras duas toneladas da matéria-prima, colhidas, apesar da seca de 1993, por pequenos produtores cearenses, foram embarcadas ontem, do sertão de Tauá, para uma indústria têxtil de Jundiaí (SP) contratada pela Greenpeace. O algodão orgânico isento de agrotóxicos e adubos químicos foi cultivado por agricultores de Tauá, Parambu e Quiterinópolis. Com apoio do Esplar, uma Organização Não-Governamental (ONG) de assessoria rural do Ceará, eles compraram uma descaroçadeira de algodão de US$3 mil para a Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá, que vendeu o produto à Filobel. O equipamento elimina a possibilidade de mistura com algodão convencional, produzido com insumos químicos, no processo de beneficiamento pelas usinas, diz Pedro Jorge Ferreira Lima, do Esplar. Segundo ele, para a safra de 1994, mesmo que a estação de chuvas fique abaixo da média, o Ceará vai produzir 100 toneladas de algodão orgânico. Em Tauá, 400 produtores cultivam o algodão mocó, das variedades precoces 3-M e 4-M da EMBRAPA, e garantem 50 toneladas para 1994, disse Pedro Jorge. A expansão da oferta é atribuída por ele à crescente adesão de agricultores ao projeto de Manejo Ecológico do Algodoeiro Mocó, coordenado há três anos e meio pelo Esplar. A qualidade do produto foi atestada pelo Serviço de Classificação de Algodão da Secretaria Estadual de Agricultura do Ceará (JB).