A prostituição de menores, apesar de estar se proliferando rapidamente, é um tabu no Brasil. A afirmação foi feita pela presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a prostituição no país, deputada Marilu Guimarães (PTB-MS). Segundo ela, "a criança não é prioridade no Brasil. E a criança prostituída é um sub-produto da sociedade". Ela disse que, apesar de não existirem estatísticas sobre o número de crianças prostituídas no país, a incidência maior de casos constatados pela CPI ocorreu nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. A deputada revelou que no Nordeste as meninas são iniciadas sexualmente pelos pais e, com a concordância da mãe, ingressam na prostituição para se tornar mais uma fonte de renda, chegando a ser, muitas vezes, arrimo de família. Além disso, como destacou a presidente da CPI, em Recife (PE) e Fortaleza (CE), já é evidente a existência do pornoturismo, no qual crianças são arregimentadas para atender turistas. No Norte, disse Marilu, o problema maior é na área de garimpo, onde crianças são induzidas na prática do sexo oral. Na Região Sudeste é visível a prostituição em casa de massagens, agências de modelos, casas noturnas e até em anúncios de jornal. Ela afirmou ainda que existem redes organizadas, como ocorre com o narcotráfico, que agem na prostituição de menores. "Não conseguimos saber, ainda, que grupos são esses, mas sabemos que existe muito dinheiro envolvido nisso", disse. Enquanto não há uma definição, a presidente da CPI defende a realização de uma campanha de moralização e pede aos estudantes "caras-pintadas" que voltem às ruas, desta vez para exigir proteção aos menores prostituídos. A campanha, segundo a deputada, também poderia ser iniciada na imprensa (JC).