O Movimento pela Ética na Política promete levar de volta às ruas a indignação que tomou conta do país no ano passado e que resultou no impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. No próximo dia três, no Rio de Janeiro (capital), mais de 100 entidades que compõem o Movimento estarão reunidas no campus da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para divulgar um documento para pressionar e acompanhar o Congresso Nacional no resgate da ética. O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), estará presente. Barbosa Lima Sobrinho, presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), também. Além deles, participarão representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), da CUT (Central Única dos Trabalhadores), da UNE (União Nacional dos Estudantes) e da ABONG (Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais). Com isso, o processo estará deflagrado, acredita Maria José Sarno, uma das organizadoras do Movimento. Ela garante que esse será apenas o pontapé inicial de uma série de manifestações que vão canalizar a revolta da população que assiste às denúncias de irregularidades na manipulação dos recursos orçamentários "com um sentimento de traição". No dia sete, domingo, o Movimento vai promover um "Arrastão contra a corrupção", na zona sul do Rio de Janeiro (capital). No dia 10, quarta- feira, o Movimento vai promover um plebiscito no Rio. A população vai ter oportunidade de dizer se concorda ou não com o método utilizado pela CPI para apurar as irregularidades denunciadas e sugerir punição para os responsáveis. No último dia 28, CUT, OAB, UNE e CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) entregaram ofício ao presidente da CPI do Orçamento, senador Jarbas Passarinho (PPR-PA), pedindo o credenciamento de uma comissão da sociedade civil para acompanhar a investigação. Essas entidades pretendem que o movimento contra a corrupção ganhe amplitude nacional. "Não basta torcer por uma CPI para valer. Precisamos respaldar com atividades e ações concretas", diz o presidente da CUT, Jair Meneguelli. Além do "Arrastão contra a corrupção", já está programada uma passeata dos estudantes "caras-pintadas" dia nove, em São Paulo (capital). No dia seguinte, em Brasília (DF), o Movimento pela Ética na Política organiza vigília no Congresso Nacional, com a participação de governadores e prefeitos (JB).